Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Adenocarcinoma do colo uterino

Dra. Carmen Regina Nogueira de Carvalho
Prof. Dra. Julisa Chamorro Las Casas Ribalta.

O câncer de colo uterino é a principal causa de morte entre as mulheres nos países em desenvolvimento e a segunda nos desenvolvidos. Tem sido exaustivamente estudado. Em 95% dos casos sua origem relaciona-se com infecção persistente produzida pelo papilomavírus humano (HPV) de alto risco, principalmente os tipos 16 e18. Esta infecção por sua vez, está associada a fatores imunológicos congênitos e/ou adquiridos e a carcinógenos ambientais. Desse fato decorre o aparecimento de mutações, iniciação, promoção e progressão da neoplasia (1, 9, 10, 11).

Os tipos histopatológicos considerados pela FIGO no ano 2000 (4) são:

Neoplasia intra-epitelial cervical (grau III)

Carcinoma in situ de célula escamosa;

Carcinoma de célula escamosa: Queratinizante;

Não queratinizante;

Verrucoso.

Adenocarcinoma in situ;

Adenocarcinoma tipo endocervical;

Adenocarcinoma endometrióide;

Adenocarcinoma de células claras;

Carcinoma adenoescamoso;

Carcinoma adenóide cístico;

Carcinoma de pequenas células

Menos conhecida que a tipo escamoso. Sua agressividade é considerada maior do que a do espinocelular. Segundo HOPKINS et al. (1991) (5) a sobrevida a 5 anos de pacientes com carcinoma espinocelular, comparada a de portadoras de adenocarcinoma no estádio clinico I, foi de 90% no primeiro grupo e de 60% no segundo. No mesmo trabalho, encontraram para o estádio clínico II índices de segundo foi 62% e 47%, respectivamente.

Desde os anos 70 progressivamente surgem publicações mostrando aumento da incidência dos adenocarcinomas, independentes da queda dos carcinomas escamosos (7). Contribui também para este aumento a melhora na técnica de avaliação histopatológica. DAVIS & MOON (1975) (3), no período de 1971 a 1974 em trabalho de revisão da histopatologia dos tumores e utilizando coloração para PAS (ácido periódico de Schiff) e Azul de Alcian, encontraram 14 adenocarcinomas (34%) dentre 41 casos inicialmente diagnosticados como carcinomas espinocelulares do colo uterino e três casos considerados clinicamente como adenocarcinomas endometriais,

PETERS et al. (1986) (6), por meio de dados obtidos do Programa de Vigilância do Câncer, verificaram em Los Angeles County (USA) entre 1972 e 1986, elevação da freqüência dos adenocarcinomas invasores do colo uterino em aproximadamente de dois para cinco casos ao ano. Isto corresponde a um aumento de 8,2% ao ano em mulheres com menos de 35 anos de idade; entretanto nas pacientes com idade superior a 35 anos não houve esta tendência. Por outro lado observaram queda de 3% na incidência de carcinomas espinocelulares, in situ e invasor, nas mulheres com idade inferior a 35anos. Decréscimo maior ocorre em faixas etárias mais altas. Relacionaram ainda, os autores a elevação da incidência a prováveis fatores ligados a gestação, à infância e à adolescência destas mulheres. Residir em bairros de classe média ou alta, aparentar nível sócio-econômico mais diferenciado, apresentar índices menores de gestações, de separações e divórcios em relação às portadoras de neoplasia escamosa, foram as observações complementares dessa pesquisa.

Estudos de coorte mostram que a incidência do adenocarcinoma continua aumentando tanto para mulheres brancas quanto para as negras, sendo estatisticamente significante para as brancas. Esta elevação iniciou-se entre mulheres nascidas no anos 20, alcançando a taxa de 4,2% ao ano nas nascidas a partir de 1935 (12).

Estes dados mostram que o adenocarcinoma do colo uterino tem comportamento diferente da variedade escamosa. O rastreamento citológico nem sempre detecta o adenocarcinoma in situ e/ou suas lesões precursoras. Estudos epidemiológicos são necessários para verificar os fatores de risco responsáveis por esse aumento (8, 12).

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS .

1- BOSCH, F.X.; MANOS, M.M.; MUÑOS, N.; SHERMAN, M.; JANSEN, A.M.; PETO, J.; SCHIFFMAN, M.H.; MORENO, V.; KURMAN, R.; SHAH, K.V.; INTERNATIONAL BIOLOGICAL STUDY on CERVICAL CANCER (IBSCC) STUDY GROUP – Prevalence of human papillomavirus in cevical cancer: a worldwide perspective. J. Natl. Cancer Inst., 87:796-802,1995.

2- COLE, P.; RODU, B. – Declining cancer mortality in United States. Cancer, 78:2045-8,1996.

3- DAVIS, J.R.; MOON, L.B. – Increased incidence of adenocarcinoma of uterine cervix. Obstet. Gynecol., 45: 79-83, 1975.

4- FIGO COMMITEE ON GYNECOLOGIC ONCOLOGY – BENEDET, J.L.; BENDER, H.; JONES III, H.; NGAN, H.Y.S.; PECORELLI, S. – FIGO staging classification and clinical practice guidelines in the management of gynecologic cancers. Int. J. Gynecol. Obstet., 70:209-62, 2000.

5- HOPKINS, M.P.; MORLEY, G.W. – A comparison of adenocarcinoma and squamouscell carcinoma of the cervix. Obstet. Gynecol., 77:912-7, 1991.

6- PETERS, R.K.; CHAO, A.; MACK, T.M.; THOMAS, D.; BERNSTEIN, L.; HENDERSON, B.E.- Increased frequency of adenocarcinoma of the uterine cervix in young women in Los Angeles County. JNCI, 76:423-8, 1986.

7- SCHWARTZ, S.M.; WEISS, N.S.- Increased incidence of adenocarcinoma of the cervix in young women in the United State. Am. J. Epidemiol., 124:1045-7, 1986.

8- SMITH, H.O.; TIFFANY, M.F.; QUALLS,C.R.; KEY, C.R.- The incidence of adenocarcinoma relative to squamous cell carcinoma of the uterine cervix in the United States- a 24-year population-based study. Gynecol. Oncol., 78:97-105, 2000.

9- VILLA, L.L. Human papilomavirus and cervical cancer. Adv. Cancer Res., 71:321-41, 1997.

10- WALBOOMERS, J.M.M.; JACOBS, M.V.; MANOS, M.M.; BOSCH, F.X.; KUMMER, J.A.; SHAH, K.V.; SNIJDERS, P. J. F.; PETO, J.; MEIJER,C.J.L.M.; MUÑOS, L. – Human papillomavirus is a necessary cause of invasive cervical cancer worldwide. J. Pathol.,189:12-9, 1999.

11- WALLIN, K-L.; WIKILUND, F.; ANGSTRÖM, T.; BERGMAN, F.; STENDAHL,U.; WADELL, G.; HALLMANS, G.- Type-specific persistence of human papillomavirus DNA before the development of invasive cervical cancer. N. Engl. J. Med.; 431:1633-8, 1999.

12- ZHENG, T.; HOLFORD, T.R.; MA, Z.; CHEN, Y.; LIU, W.; WARD, B.A.; BOYLE, P.- The continuing increase in adenocarcinoma of the uterine cervix: a birth cohort phenomenon. Int. J. Epidemiol. 25:252-8, 1996.