Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

HIV – História natural da neoplasia intra-epitelial cervical grau 1 em mulheres com vírus da imunodeficiência humana

Massad LS, Evans CT, Minkoff H, et al. Natural history of grade 1 cervical intraepithelial neoplasia in women with human immunodeficiency virus. Obstet Gynecol 2004; 104(5):1077-85.

O objetivo deste estudo foi estimar as taxas de progressão e regressão da neoplasia intra-epitelial cervical grau 1 (NIC 1) entre as mulheres com o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Foi realizado um estudo coorte prospectivo multicêntrico entre Novembro de 1994 e Setembro de 2002 no qual as mulheres HIV-positivas e HIV-negativas foram avaliadas colposcopicamente após receber um resultado de citologia anormal. Foram incluídas as mulheres com NIC 1, exceto aquelas que realizaram histerectomia, terapia cervical ou tiveram NIC 2-3 ou carcinoma. O seguimento foi realizado com citologia semestral e repetição da colposcopia no caso de atipia ou lesão mais grave. Foram seguidas 223 mulheres (202 HIV-positivas e 21 HIV-negativas) com NIC 1 durante o período médio de 3,3 mulheres-ano. Progressão ocorreu em apenas oito mulheres HIV-positivas. Regressão ocorreu em 66 (33%) mulheres HIV-positivas versus 14 (67%) mulheres HIV-negativas (risco relativo 0,40). Em análise multivariada, regressão associou-se com a detecção do Papilomavírus Humano (HPV, relação de risco [RR] para baixo risco 0,28 e para alto risco 0,34 versus não detecção do HPV) e origem Hispânica (RR 0,48); o estado sorológico de HIV ligou-se apenas marginalmente à regressão (RR 0,52), mas as mulheres soropositivas tinham menor probabilidade de regredir quando a análise foi limitada às 146 mulheres com HPV detectado no diagnóstico de NIC 1 (RR 0,18). Como conclusão, os autores encontraram que a NIC 1 não progride freqüentemente nas mulheres com HIV. Assim, na ausência de outras indicações para o tratamento a observação parece ser segura.