Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Aspectos histológicos e de biologia molecular da papilomatose do vestíbulo vulvar e sua relação com o Papilomavírus Humano

Deus, JM . Aspectos histológicos e de biologia molecular da papilomatose do vestíbulo vulvar e sua relação com o Papilomavírus Humano.São Paulo, 1994. Dissertação (mestrado)– Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo.

Estudaram-se 25 mulheres com papilomatose do vestíbulo vulvar sem qualquer alteração clínica, citológica ou colposcópica de cérvice e vagina, através de hibridização molecular e da histologia de material obtido por biópsia na face interna dos pequenos lábios. Compararam-se esta mulheres com 24 portadoras de condiloma acuminado do vestíbulo vulvar e com 10 possuidoras de epitélio vulvar normal e sem qualquer alteração cervicovaginal. Todas as pacientes incluídas no estudo apresentavam idade menor ou igual a 35 anos e não eram gestantes.

Os resultados mostraram que: a) a papilomatose do vestíbulo vulvar raramente foi HPV-positiva à hibridização molecular (1/25-4% ao dot blot e 1/15-6,67% à PCR), o que não difere significantemente do grupo com epitélio vulvar normal (0/10-0% ao dot blot e 0/6-0% à PCR), mas difere do grupo de condiloma acuminado do vestíbulo (12/24-50% ao dot blot e 6/6-100% à PCR); b) a coilocitose focal não se correlacionou com infecção por HPV ao estudo biomolecular na papilomatose do vestíbulo; c) a papilomatose do vestíbulo, principalmente na ausência de sintomas, não merece consideração clínica nem tratamento.

Conclui-se que a papilomatose do vestíbulo vulvar não se associa ao HPV e deveria ser considerada como formação parafisiológica do epitélio vulvar. Além disso, o diagnóstico de infecção vulvar pelo HPV deveria ser evitado na ausência de evidências clínico-histológicas mais explícitas, dispensando biopsias e tratamentos desnecessários, e evitando-se habitual estresse psicológico.