Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Correlação colpo-cito-histológica da infecção pelo papilomavirus humano em adolescentes com atividade sexual

Márcia M. Tubaki

Orientadora: Profa. Dra. Elsa Ainda Gay de Pereyra.

Tubaki, M.E. Correlação colpo-cito-histológica da infecção pelo papilomavirus humano em adolescentes com atividade sexual. São Paulo, 2004. 131 p. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo.

Este estudo prospectivo foi delineado com o objetivo de aaliar os achados citológicos, colposcópicos e histológicos da infecção pelo papilomavírus humano em adolescentes e estabelecer a correlação entre o resultado da colpocitologia oncológica e os fatores de risco para a infecção pelo papilomavírus humano. O grupo foi constituído por 82 adolescentes entre 13 e 19 anos, acompanhadas no Ambulatório de Adolescentes e encaminhadas ao Setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. As pacientes foram submetidas a anamnese, coleta da colpocitologia oncológica, colposcopia e biópsia de colo uterino na presença de aspectos colposcópicos anormais. A média etária das pacientes foi de 17,7 anos, com desvio padrão, de 1,4 anos. A colpocitologia oncológica foi normal de 57 % e alterada em 43 %. Os achados citológicos anormais diagnosticados foram: lesão intra-epitelial escamosade baixo grau em 38%, lesão intra-epitelial escamosa de alto grau em 04 % e células escamosas atípicas de significado indeterminado em 1%. A colposcopia foi satisfatória em todos os casos. Os achados colposcópicos normais foram o epitélio pavimentoso original em 04 %, epitélio cilíndrico em 18 % e azona de transformação normal em 28 %. A zona de transformação anormal estava presente em 50 % dos casos, sendo representada pelas alterações epiteliais em 52 %, seguida das vasculares em 41% e mistas em 7%.

O exame histológico do material de biópsia de colo uterino diagnosticou cervicite crônica em 33%, cervicite crônica associada à infecção pelo papilomavírus humano em 2,4 %, neoplasia intra-epitelial cervicalgrau 1 em 11%, neoplasia intra-epitelial cervical grau 2 em 2,4 % e neoplasia intra-epitelial cervical grau 3 em 1,2 %. Quanto aos fatores de risco e sua associação com o resultado da colpocitologia oncológica, a análise univariada dos parâmetros idade, menarca, início da atividade sexual, intervalo entre menarca e primeira relação sexual, número de parceiros, tabagismo e método contraceptivo não apresentou diferença estatisticamente significante. A análise conjunta das variáveis independentes através do método de regressão logística identificou os parâmetros idade, menarca e método contraceptivo como fatores relevantes O aumento em um ano na idade da adolescente diminui a probabilidade (30%) de alteração no resultado citológico. O atraso em um ano na menarca reduz a probabilidade (35%) de colpocitologia oncológica alterada. A utilização de método anticoncepcional hormonal (anticoncepcional oral ou injetável) aumenta a probabilidade de alteração citológica.