Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Epitélio ectocervical regenerado após eletrocoagulação: análise colposcópica, citológica, histopatológica e citoquímica (glicogênio e ácido desoxirribonucléico)

Italo Baruffi

Orientador: Prof. Dr. Victorio Valeri

Baruffi, I. Epitélio ectocervical regenerado após eletrocoagulação: análise colposcópica, citológica, histopatológica e citoquímica (glicogênio e ácido desoxirribonucléico). São Paulo, 1962. Tese (doutorado)– Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.

Sumário e conclusões:

I – Foram estudados 48 casos de lesões não neoplásicas do colo uterino humano e os epitélios regenerados após eletrocoagulação destas lesões, através da colposcopia, teste de Schiller, citologia e da histopatologia. Em 14 dos 48 casos foi estudada a distribuição do glicogênio na espessura do epitélio ectocervical pela reação de P.A.S., e em 10 foi feito um estudo quantitativo do teor em ácido desoxirribonucléico (ADN) pela histofotometria topográfica.

II – Os resultados obtidos através do estudo do epitélio regenerado, após eletrocoagulação, foram os seguintes:

a) Achados colposcópicos: epitélio ectocervical com características normais, 43 casos (83,6%); com remanescentes de ectopia, 4 casos (8,3%); com leucoplasia residual, 1 caso (2,1%);

b) Teste de Schiller: negativo em 43 casos (89,6%); positivo em 5 casos (10,4%);

c) Achados citológicos: citologia ectocervical grau I em 42 casos (87,5%); grau II em 6 casos (12,5%);

d) Achados histopatológicos: epitélio regenerado com características normais em 46 casos (95,8%); com epitélio atípico simples rubrica I, 2 casos (4,2%); e

e) Achados citoquímicos:

1. Glicogênio: dos 14 casos estudados, 11 casos (78,6%) mostraram distribuição do glicogênio em todas as camadas do epitélio ectocervical regenerado; uma diminuição em 2 casos (14,3%) e ausência em 1 caso (7,1%).

2. DNA: a análise de variância do teor em ADN (unidades arbitrárias) das células ectocervicais antes da eletrocoagulação e após a regeneração do epitélio mostrou uma diferença significativa (13,06); enquanto que a diferença entre os indivíduos não foi significativa (1,63). Os cálculos do teste de Tukey, executados nos 3 grupos estudados, antes da eletrocoagulação (A), após a regeneração do epitélio (D) e no grupo normal (N), mostrou o seguinte resultado: 1º grupo (A e N) não difere significativamente entre si (10,4); o 2º grupo (D) difere significativamente dos dois precedentes (21,3), pois a menor diferença significativa ao nível de 5% foi 17,59.

III – Nas ectopias, para que tenhamos, após a eletrocoagulação, uma regeneração completa e perfeita do epitélio ectocervical, é necessário destruir completamente o epitélio ectópico.

IV – No epitélio atípico simples, se possível, é necessária uma eletrocoagulação completa deste, evitando que a regeneração do epitélio ectocervical se faça às custas de um epitélio atípico residual que iria reproduzir total ou parcialmente um epitélio com as mesmas características anteriores. Se eles forem completamente destruídos e a regeneração partir de um epitélio estratificado original, o epitélio regenerado será certamente normal.

V – A eletrocoagulação das lesões não neoplásicas impossibilita, devido à destruição da lesão e à rápida epitelização da zona eletrocoagulada, que fatores desfavoráveis possam atuar levando o epitélio de regeneração a uma indiferenciação, que aumentaria os riscos deste epitélio apresentar lesões displásicas que poderiam tornar-se irreversíveis. Sobre este aspecto, acreditamos ser a infecção fator dos mais importantes.