Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Estudo de fatores relacionados ao estado das margens cirúrgicas no tratamento das neoplasias intra-epiteliais cervicais escamosas de alto grau

Jesus Paula Carvalho

Carvalho JP. Estudo de fatores relacionados ao estado das margens cirúrgicas no tratamento das neoplasias intra-epiteliais cervicais escamosas de alto grau. São Paulo, 2000. 89p. Tese (Livre-Docência) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo.

O tratamento da neoplasia intra-epitelial escamosa de alto grau pode ser realizado por diferentes métodos, desde procedimentos conservadores realizados a nível ambulatorial, até a histerectomia. Os critérios de seleção de pacientes para cada tipo de tratamento ainda são motivo de controvérsias. A presença da neoplasia nas margens de ressecção da lesão constitui fator predisponente para recidivas, caracterizando o tratamento como insuficiente. Com o objetivo de avaliar a taxa de comprometimento das margens cirúrgicas em diferentes tipos de tratamento e possíveis fatores relacionados à ela, estudamos 154 pacientes com diagnóstico histológico de NIC 3 e NIC 3 com suspeita de invasão, tratadas por amputação (41 casos), conização cirúrgica (60 casos) ou cirurgia de alta freqüência (CAF) 53 casos). No grupo de conização cirúrgica realizarmos exame intra-operatório por cortes de congelação em 25 casos, submetidos a histerectomia total no mesmo ato por alguma indicação clínica ou pelo achado de lesão extensa com margens comprometidas no exame. As taxas de comprometimento das margens foram 19,5%, 46,7% e 61,5% nos grupos amputação, conização e CAF, respectivamente. A idade e a suspeita de invasão à biópsia, apresentaram relação positiva com margens comprometidas. A probabilidade de margens positivas aumentou aproximadamente 4% a cada incremento de 1 ano de idade. Nos casos submetidos a exame intra-operatório houve concordância ente a graduação da lesão pelo exame de congelação do cone e o exame definitivo do espécimen cirúrgico em 92%.Os dois casos discordantes corresponderam a carcinoma microinvasivo cuja invasão não foi detectada no exame intra-operatório. A concordância entre a avaliação das margens cirúrgicas pelo exame intra-operatório e pelo exame definitivo dos espécimes cirúrgicos foi de 100%. A presença de neoplasia residual no útero em pacientes com margens positivas foi de 68,8%. Concluímos que o aumento da idade e os métodos mais conservadores de tratamento se associam com maiores taxas de margens comprometidas, e que o exame intra-operatório de congelação fornece informações precisas no que se refere a diagnóstico e suficiência das margens, orientando para a terapêutica mais adequada para cada caso.