Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Estudo morfológico da mucosa e análise quantitativa dos lisosomas no epitélio endocervical da mulher durante o ciclo menstrual

João Batista Kosmiskas

KOSMISKAS, JB. Estudo morfológico da mucosa e análise quantitativa dos lisosomas no epitélio endocervical da mulher durante o ciclo menstrual. São Paulo, 1994. Tese (doutorado)– Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo.

Estudaram-se, através da microscopia de luz, as modificações da mucosa do terço médio da endocérvice e a variação quantitativa dos lisosomas, utilizando o método histoquímico de Gomori, dentro de um ciclo menstrual comprovadamente ovulatório em suas fases proliferativa e secretora de 20 mulheres; sendo que em 6 o estudo dos lisosomas foi realizado comparando as duas fases de um mesmo ciclo. A morfologia microscópica da mucosa mostrou evidentes alterações no epitélio onde as células têm crescimento constante da fase proliferativa à secretora. O núcleo, dessas células, é basal na primeira fase medianizando-se na segunda. Na fase proliferativa a lâmina própria é densamente arranjada com muitas células e fibras e os vasos sanguíneos são escassos: na secretora, a lâmina própria tornou-se mais tênue, com menor quantidade de células e fibras, por causa do edema, e os vasos sanguíneos aumentaram em número e calibre. A membrana basal tornou-se mais evidente na fase secretora. Morfologicamente os lisosomas apresentaram-se como grânulos escuros de tamanho variável concentrando-se basicamente no ápice das células. A análise estatística mostrou ser significantemente maior o número de lisosomas na fase secretora do que na proliferativa do ciclo tanto de uma mesma mulher em um mesmo ciclo assim como de diferentes mulheres. Esses fatos permitem-nos demonstrar que as alterações morfológicas da mucosa endocervical são acompanhadas por um aumento, estaticamente comprovado, no número de lisosomas.