Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Expressão protéica de P53 e C-MYC como marcadores no prognóstico do carcinoma de colo uterino

Sylvia Michelina Fernandes Brenna
Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Zeferino
Co-orientadora: Profª. Drª Glauce Aparecida Pinto

BRENNA, SMF. Expressão protéica de p53 e c-myc como marcadores no prognóstico do carcinoma de colo uterino. Campinas, 2000. Tese (doutorado) – Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas.

Alguns estudos analisaram a expressão protéica de p53 e c-myc como marcadores no prognóstico do carcinoma de colo uterino, mas a maioria foi realizada em países desenvolvidos, onde há programas de rastreamento eficientes, que podem selecionar estádios iniciais e formas agressivas da doença. O objetivo deste estudo foi analisar a associação destas proteínas com o prognóstico do carcinoma espino-celular invasivo de colo uterino (CEC). Foi de coorte, considerou poder de 80% e IC de 95%. Incluiu 220 mulheres diagnosticadas entre 1992 e 1994, nos estádios Ib-III, seguidas por cinco anos. Os blocos de parafina foram processados para imunohistoquímica: p53 (Dako DO7) e c-myc (Santa Cruz Biotechnology MX 9E10). Para a análise estatística utilizou-se: teste de Cochran-Armitage, método de Kaplan-Meier, testes de Wilcoxon ou log-rank e modelo de risco proporcionais de Cox. A idade das mulheres variou de 25-80 anos (média 53,4) e o CEC foi diagnosticado em 22%, 28% e 50%, nos estádios I, II e III respectivamente. A freqüência das proteínas foi 35% para p53 e 40% para c-myc. Houve tendência linear inversa entre a faixa etária e a proteína p53 (p=0,03) e entre o tempo de atividade sexual e a proteína c-myc (p=0,03). As mulheres no estádio II e proteína p53 tiveram menor sobrevida livre de doença (p<0,01) e risco de recidiva 2,6 (IC 1,1-6,2) vezes maior, nos 12 primeiros meses (p=0,02). As mulheres com controle clínico da doença pós-tratamento e proteína c-myc tiveram menor sobrevida livre de doença (p<0,01) e risco de recidiva 2,1 (IC 1,1-3,9) vezes maior, nos 12 primeiros meses (p=0,02). A proteína p53 associa-se ao mau prognóstico apenas no estádio II e a proteína c-myc associa-se apenas nas mulheres com controle clínico da doença pós-tratamento. Palavras chaves: câncer de colo uterino, p53, c-myc