Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Neoplasia intra-epitelial escamosa cervical de baixo grau histológico: achados citológicos, colposcópicos, conduta terapêutica e seguimento.

Ana Carolina S. Chuery

Orientadora: Profa. Dra. Elsa Aida Gay de Pereyra.

CHUERY, A.C.S. Neoplasia intra-epitelial escamosa cervical de baixo grau histológico: achados citológicos, colposcópicos, conduta terapêutica e seguimento. São Paulo, 2003. 96p. Dissertação (mestrado) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo.

Realizou-se estudo retrospectivo de 103 mulheres apresentando diagnóstico de neoplasia intra-epitelial escamosa cervical de baixo grau obtido por biópsia dirigida pela colposcopia com seguimento mínimo de dois anos, que foram acompanhadas no Setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, no período entre março de 1993 a março de 2001. Em todos os casos foram revisados os achados citológicos e colposcópicos, e a evolução clínica de acordo com a conduta terapêutica adotada. Três tipos de conduta terapêutica foram realizados: expectante em 46 mulheres (44,7%), destrutiva local (eletrocoagulação diatérmica) em 44 (42,7%) e excisional (excisão da zona de transformação por cirurgia de alta freqüência) em 13 (12,6%). A média etária foi de 33,2 anos (variando de 16 a 67) e a paridade média foi de 2,1 (variando de 0 a 10). A colpocitologia oncológica foi normal em 4,9%, inflamatória em 38,8%, lesão intra-epitelial escamosa de baixo grau em 46,6% e lesão intra-epitelial escamosa de alto grau em 9,7%. A colposcopia mostrou-se satisfatória em 97,1% dos casos e insatisfatória devido à junção escamocolunar não visível em 2,9%. As alterações colposcópicas foram epiteliais em 62,1%, vasculares em 13,6%, mistas (epiteliais e vasculares) em 20,4% e achados vários em 3,9% das mulheres. Após seis meses de seguimento, 72,8% das mulheres apresentaram regressão e 27,2% persistência da neoplasia de baixo grau. Em 12 meses, regressão ocorreu em 83,5%, persistência em 15,5% e progressão para neoplasia de alto grau em 1,0%. Após 18 meses de seguimento, essas taxas foram de, respectivamente, 93,2%, 4,8% e 1,9% e, em 24 meses, regressão ocorreu em 94,2% e persistência em 5,8% dos casos. Concluiu-se que a maioria das mulheres com neoplasia intra-epitelial escamosa cervical de baixo grau histológico apresentaram regressão da lesão em dois anos de seguimento e não se observou diferença significativa na evolução clínica entre os diferentes tipos de conduta adotada.