Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Encarte Central

Resumos por
Dra. Carolina Corsini
Dra. Mariana Carmezin Beldi

Human papillomavirus (HPV) vaccination and subsequent sexual behaviour: Evidence from a large survey of Nordic women.

Vaccine. 2014 Sep 3;32(39):4945-53. doi: 10.1016/j.vaccine.2014.07.025. Epub 2014 Jul 19.

Autores: Hansen BT, Kjær SK, Arnheim-Dahlström L, Liaw KL, Jensen KE, Thomsen LT, Munk C, Nygård M.

Objetivos
Avaliar se mulheres vacinadas contra o Papilomavírus Humano (HPV) apresentam comportamento sexual de maior risco comparadas às mulheres não vacinadas.

Desenhos do estudo
Estudo transversal em que foram realizadas análises seqüenciais a partir da idade auto-relatada no momento da vacinação, idade da primeira relação sexual e idade no momento da pesquisa.

Pacientes e Métodos
Realizou-se seleção aleatória de mulheres com idade entre 18 a 46 anos que vivem na Dinamarca, Noruega e Suécia, entre 2011 e 2012, elegíveis para vacinação contra o HPV de forma organizada (campanhas de vacinação) ou oportunista.
No total, 3805 mulheres relataram ter recebido a vacina contra o HPV e 40247 relataram não ter recebido a mesma. Dentre as vacinadas, 1539 receberam a vacina antes ou concomitante à primeira relação sexual, dentre as quais 476 foram vacinadas de forma organizada e 1063 de forma oportunista.
Foram comparadas as taxas de risco de mulheres vacinadas contra o HPV (antes ou concomitante ao início sexual) às de mulheres não vacinadas, a partir do auto-relato do comportamento sexual.

Resultados
Não foi observado início mais precoce da vida sexual entre as mulheres vacinadas. Mulheres que receberam a vacina antes do início da vida sexual ou concomitante ao mesmo não tiveram maior número de parceiros sexuais que aquelas não vacinadas. O não uso de métodos contraceptivos na primeira relação sexual foi mais comum entre as mulheres não vacinadas que entre as vacinadas. Os resultados foram semelhantes para as mulheres vacinadas oportunisticamente ou de forma organizada.

Conclusão
Mulheres que receberam a vacina contra o vírus HPV antes do inicio da vida sexual ou concomitante ao mesmo não apresentam maior comportamento sexual de risco comparadas às mulheres não vacinadas.

The prevalence and risk of human papillomavirus infection in pregnant women.

Epidemiol Infect. 2014 Aug;142(8):1567-78. doi: 10.1017/S0950268814000636

Autores: Liu P, Xu L, Sun Y, Wang Z.

Objetivo
Avaliar a prevalência e o risco de infecção pelo papilomavírus humano (HPV) na gravidez.

Material e Métodos
Realizado revisão sistemática de estudos publicados até 30 de abril de 2013 sobre a prevalência do HPV, nos quais foi detectada a presença do vírus apenas em mulheres grávidas ou em mulheres grávidas e não grávidas. No total, foram incluídos 28 estudos, os quais forneceram dados sobre a infecção pelo HPV referentes a 13.640 mulheres grávidas.

Resultados
A prevalência de HPV em mulheres não grávidas e grávidas da mesma idade foi de 16 a 82% [95% intervalo de confiança (IC)] e 12 a 25% (IC 95%), respectivamente. A prevalência nos três trimestres foi de 18 a 20%, 14 a 38% e 19 a 32%, respectivamente. HPV-16 foi o tipo mais freqüente, com prevalência de 3 a 86% (IC 95%). A prevalência do HPV variou por região de estudo, idade e tipo de HPV.
A meta-análise mostrou aumento significativo do risco de infecção por HPV em mulheres grávidas, com odds ratio (OR) de 1 a 42 (95% CI), especialmente para aquelas com idade inferior a 25 ​​anos (OR 1 · CI 79, 95%).

Conclusão
Os resultados sugerem que mulheres grávidas, especialmente aquelas com idade inferior a 25 ​​anos, são mais suscetíveis à infecção pelo HPV.

Natural History of Cutaneous Human Papillomavirus (HPV) Infection in Men: The HIM Study

PLoS ONE 9(9): e104843. doi:10.1371/journal.pone.0104843
Autores: Shalaka S. Hampras1, Anna R. Giuliano, Hui-Yi Lin, Kate J. Fisher, Martha E. Abrahamsen,Bradley A. Sirak, Michelle R. Iannacone, Tarik Gheit, Massimo Tommasino, Dana E. Rollison

Introdução
Poucos estudos avaliaram a prevalência e a persistência da infecção cutânea por HPV. Esse estudo descreve a história natural da infecção por βHPV numa coorte de 209 homens em Tampa na Flórida.
Foram coletados material através de swabs de áreas expostas e não expostas ao sol, sombrancelhas e amostras de cabelo desses pacientes entre Novembro de 2008 e Junho de 2010. O seguimento foi de 12.6 meses

Resultados
Cerca de 74.5% dos pacientes eram caucasianos com idade entre 18-30 anos. βHPV esteve presente mais em áreas cutâneas que em sombracelhas(67.3% x 56.5%). Os tipos mais comuns foram 5,12,21 e 24. O tempo médio de incidência da infecção foi de 17.5 meses. Após 12 meses, cerca de 35% dos homens adquiriu uma nova infecção. A taxa de persistência foi mais comum nas amostras de pele que nas sombranvelhas, e os tipos que mais causaram persistência foram: 38,5,4,80 e 23. Em relação aos fatores de risco: homens com história pregressa de queimadura com bolhas apresentam 2 vezes mais infecção em áreas cutâneas que os demais. Homens mais velhos( acima de 44 anos) apresentam 6 vezes mais chance de persistência da infecção que homens mais jovens somente na sombrancelha e não em área cutânea íntegra.Pacientes com história pregressa de queimadura com bolha apresentam 2.7 vezes mais chance de persistências. Não foi encontrada nenhuma outra relação significante.

Discussão
Idade e presença de queimadura com bolhas estão signficativamente relacionados com a infecção e persistência por βHPV em homens , porém não estão associados com a incidência. Acredita-se que a exposição aos raios UV leva a imunossupressão mediada que pode predispor o indivíduo a infecção cutânea por βHPV.

Conclusão
Observou-se uma alta prevalência, incidência e persistência de infecção cutânea causada por βHPV em homens saudáveis. Idade e queimadura solar do segundo grau estão fortemente associadas a persistência e prevalência dessa infecção. O fato de a incidência não estar associada a exposição solar, sugere que o sol em si não é um fator responsável pela nova aquisição da infecção, mas afeta de forma importante a duração dessa infecção provavelmente por alterar fatores da imunidade.

Incidence and clearance of oral human papillomavirus infection in men: the HIM cohort study

Lancet. 2013 September 7; 382(9895): 877–887. doi:10.1016/S0140-6736(13)60809-0.
Autores: Aimée R. Kreimer, Christine M. Pierce Campbell,*, Hui-Yi Lin, William Ful, Mary R.Papenfuss, Martha Abrahamsen, Allan Hildesheim, Luisa L. Villa, Jorge J. Salmerón,Eduardo Lazcano-Ponce5, and Anna R. Giuliano

Introdução
O HPV 16 está relacionado com o aumento da incidência de câncer de orofaringe nos EUA. Cerca de 50% dos casos de carcinoma de orofaringe na Austrália é causado pelo HPV 16. No entanto, a infecção orla por HPV 16 é rara, cerca de 1% nos indivíduos saudáveis. Esse estudo visa elucidar a história natural da infecção oral por HPV 16 em homens brasileiros, americanos e mexicanos. Esse é um dos braços do HIM study. 4072 homens de 18 a 70 anos assintomáticos e com historia negativa de tratamento de lesão HPV induzida ou outras DST foram recrutados. Amostras foram colhidas através de gargarejo, e com esse material foi extraído DNA para genotipagem.

Resultados
Uma coorte de 1626 homens foi seguida cerca de 12 meses. A taxa de infecção por HPV foi rara: 5.6 para 1000 homens/ mês, e de HPV oncogênico foi mais rara ainda: 2.5 para 1000 homens/mês. Em 1 ano, apenas 0.6% dos homens adquiriram infecção pelo 16. O 16 foi o tipo mais prevalente, sendo seguido pelos 59 e 39. Dos tipos não oncogenicos o mais comum foi o 55( 2% dos casos). 17% dos pacientes infectados apresentaram co-infecção entre múltiplos tipos, sendo o 16 mais comum nesses casos. A maioria das infecções resolveram-se em 1 ano, sendo a duração média de 6.3 meses tanto para os tipos oncogenicos quanto para os não oncogênicos. A aquisição de nova infecção por HPV é mais alta em homens solteiros e tabagistas. Etilismo e sexo oral não foram significativamente expressivos. No entanto, pacientes mais velhos estão mais propensos a infecção por HPV que os jovens.

Discussão
Esse estudo mostra que a aquisição da infecção oral de HPV em homens é um evento raro. A grande maioria das infecções se resolvem em 1 ano. Acredita-se que o HPV se comporte de forma muito diferente na cavidade oral que na cérvix.A infecção se provou mais prevalente em pacientes mais velhos, isso sugere a idade aumenta a duração da infecção e não o potencial de aquisição.
O tabagismo parece esta correlacionado com a maior chance de aquisição de infecção pelo HPV( cerca de 3 vezes mais). O mecanismo exato ainda não foi elucidado, mas suspeita-se que a imunidade seja alterada em função da maior produção de citocinas pro-inflamatorias e efeito imunossupressor.

Conclusão
A historia natural da infecção por HPV na orofaringe difere da do colo do útero. No entanto, mais estudos ainda deverão ser realizados para elucidação desse assunto.