Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

(Células escamosas atípicas) ALTS – ASCUS/LSIL triage study

The ASCUS/LSIL Study ( ALTS ) Group, Human Papillomavirus Testing for triage of women with cytologic evidence of Low-Grade Squamous Intraepithelial Lesions: Baseline data from a randomized trial, J.National Cancer Institute 2000, 92:

ALTS é um estudo clínico realizado para determinar a melhor maneira de administrar as alterações intermediárias encontradas na citologia cervical ( técnica de Papanicolau ).

ALTS, sigla derivada de ASCUS/LSIL Triage Study, foi organizado e financiado pelo Instituto Nacional do Câncer (NCI), principal órgão governamental de pesquisa oncológica dos EUA.

Este estudo foi aplicado em 4 grandes centros: Universidade de Alabama, Universidade de Oklahoma, Universidade de Pittsburgh e Universidade de Washington.

ASCUS e LSIL são siglas usadas para designar as alterações intermediárias do exame de Papanicolau. ASCUS, atipias de células escamosas de significado indeterminado e, LSIL, lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau.

ASCUS significa uma alteração celular de natureza incerta ou equívoca; LSIL tem um significado mais definido, mas continua sendo uma alteração intermediária. Assim o NCI criou este estudo para tentar solucionar a controvérsia existente em relação a melhor conduta a ser tomada pelos especialistas frente ao diagnóstico de ASCUS ou LSIL; pois na maioria dos casos são alterações que desaparecem sem tratamento, mas algumas vezes evoluem para lesões pré-cancêr ou cancêr.

Atualmente existe duas condutas distintas para tais achados em esfregaços cérvico-vaginais: encaminhar a paciente para colposcopia e biópsia de alguma área suspeita ou aguardar alguns meses e repetir novamente o exame citológico.

O ALTS estudou três maneiras diferentes de abordar ASCUS e LSIL: colposcopia imediata, tratamento conservador, e triagem do HPV (captura híbrida).

Foram avaliadas 5000 mulheres com alterações citológicas intermediárias, cerca de 2/3 tinham ASCUS e 1/3 LSIL. Dentro de cada grupo, as mulheres foram divididas de forma randomizadas em três subgrupos: um grupo faria colposcopia imediatamente, um segundo grupo repetiria a citologia cervical, e o terceiro grupo faria testes para HPV (captura híbrida); as HPV positiva fariam colposcopia imediatamente e as HPV negativas eram incluídas na conduta espectante. Todos os três grupos repetiam a citologia cervical a cada seis meses, havendo alguma mudança significativa, uma conduta mais agressiva poderia ser tomada.

Os principais achados deste estudo foram:

ASCUS:

5 a 10% das colposcopias indicaram lesão pré-câncer ou câncer (raramente). Posteriormente estas mulheres foram submetidas ao teste do HPV e em 96,3% eram positivas. Assim, o HPV teste revelou uma sensibilidade de 96% de triar as mulheres com pré-câncer ou câncer para a colposcopia.
55% das pacientes com ASCUS eram HPV positivo, e foram encaminhadas para colposcopia. Cerca de 10 a 20% das mulheres com HPV positivo tinham lesão pré-câncer ou câncer, ou seja, valor preditivo positivo de 10 a 20%.
99,5% das pacientes com HPV negativo não tinham lesão pré-câncer ou câncer, ou seja, valor preditivo negativo de 99,5%.
Conclusão: O HPV teste é altamente sensível para detectar a população de pacientes que necessita de imediata atenção.

LSIL ( avaliadas 642 mulheres ):

o teste para HPV foi positivo em 82,9% , ou seja, uma alta freqüência de HPV confirmada por testes de PCR.
mulheres com mais de 30 anos tem menor chance de serem HPV positivas.
Mulheres com mais de três parceiros sexuais tem maior chance de serem HPV positivas do que aquelas com menor número de parceiros.
Conclusão: A alta prevalência de infecção por HPV em mulheres com LSIL limita a utilidade do teste para HPV para determinar o melhor tratamento a ser adotado.