Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

(Gestação) Transmissão perinatal do papilomavírus humano em neonatos: relação entre taxa de infecção e tipo de parto

TSENG, CJ; LIANG, CC; SOONG, YK; PAO, CC. Perinatal transmission of human papillomavirus in infants: relationship between infection rate and mode of delivery. Obstet. Gynecol. v.91, p.92-96, 1998.

Além da transmissão sexual o HPV pode ser transmitido de outras maneiras, como a perinatal. Vários estudos demonstram alta taxa de transmissão vertical do HPV variando entre 55-73%. Enquanto a relação entre o tipo de parto e a taxa de transmissão do HPV não está bem esclarecida, outras infecções perinatais como hepatite B, HIV e herpes simples são bem reconhecidas. Este estudo teve por objetivo determinar a taxa de transmissão de HPV em neonatos nascidos de mulheres com infecção por HPV, e a relação de sua transmissão com a modalidade de parto. Esses autores estudaram a freqüência do HPV 16/18 em 301 gestantes. Para verificar a presença do DNA do HPV foram coletadas das gestantes células da cérvice e parede vaginal posterior e esfregaço cérvico-vaginal. O material proveniente do neonato foi coletado de mucosa oral e genital. Foram selecionadas randomizadamente 30 mulheres sem infecção por HPV para grupo controle. A freqüência da infecção pelo HPV nas gestantes foi de 22,6% (68/301). Entre as 68 gestantes infectadas, 35 realizaram parto vaginal e 33 parto cesárea. Das pacientes que tiveram parto vaginal, 27 tinham apenas DNA do HPV 16, 2 do HPV 18 e 6 de ambos os tipos. Já as gestantes submetidas a parto cesáreo 26 tinham HPV 16, 2 HPV 18 e 5 ambos. A taxa de transmissão do HPV 16/18 ao nascimento foi de 39,7% (27/68). Entre os 27 neonatos HPV positivos, 18 nasceram de parto normal e 9 de parto cesárea. Não existiu diferença significativa na incidência de infecção perinatal por HPV entre os tipos de HPV 16 e 18 em neonatos nascidos de parto normal ou cesáreo. Em relação aos locais de coleta, 39,7% dos neonatos foram positivos para HPV no material de mucosa oral, e 30,9% em mucosa genital. Não houve diferença estatística na relação entre os tipos de HPV e local de coleta com o sexo dos neonatos. Das 30 pacientes do grupo controle, nenhum neonato foi positivo para HPV 16/18. A transmissão materno-fetal do HPV pode ocorrer intra-útero, perinatal e pós-natal. Descrições de papilomatose laríngea juvenil, condiloma acuminado congênito, presença de DNA de HPV na pele e cavidade oral em neonatos nascidos de cesárea sugerem que a infecção por HPV pode ocorrer por via transplacentária. Para a prevenção de infecções intra-uterinas o parto cesárea não é eficaz. Entretanto, a alta freqüência de infecção por HPV após o parto cesárea neste estudo sugere que a exposição do neonato ao vírus pode ocorrer não apenas durante sua passagem no canal do parto, mas também durante a gravidez. Este estudo continua em andamento para verificar a persistência da infecção por HPV ao seis meses e anualmente dos neonatos infectados. Se a transmissão por HPV infecta o neonato e podem causar infecções persistentes posteriores, seria aconselhável a imunização por HPV como estratégia preventiva.