Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Avaliação longitudinal de aspectos imunológicos e virológicos durante a gravidez e puerpério em mulheres portadoras do vírus da imunodeficiência humana tipo HIV-1

Silvana Maria Quintana

Orientador: Prof. Dr. Geraldo Duarte

Quintana, SM. Avaliação longitudinal de aspectos imunológicos e virológicos durante a gravidez e puerpério em mulheres portadoras do vírus da imunodeficiência humana tipo HIV-1 . São Paulo, 1997. Tese (doutorado) – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.

Para efetivar estes objetivos foi realizado um estudo longitudinal avaliando 22 mulheres durante a gestação e puerpério, das quais 11 eram portadoras do HIV- I (grupo A) e 11 soronegativas para esta infecção (grupo B).

Cada paciente foi submetida a cinco coletas sangüíneas, uma a cada trimestre e duas no puerpério (40 dias e 6 meses após o parto). Os parâmetros As controvérsias a respeito das influências da gravidez e da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana tipo I (HIV-I) sobre as contagens dos principais elementos da defesa celular e a necessidade de comprovação do padrão de mutações virais presentes nesta população, foram os principais fundamentos da função imunológica avaliados foram as contagens de linfócitos totais, linfócitos T e suas subpopulações (TCD4 e TCD8), a relação CD4/CD8, as contagens de linfócitos B e NK (CDl6+/CD3-, CD56+/CD3- e CD56+/CDl6+). Concomitantemente foram selecionadas 20 mulheres não grávidas, caracterizadas como grupo controle (dez mulheres portadoras do IIIV-1 e dez mulheres soronegativas). Em 20 pacientes foram seqüenciados fragmentos genômicos de amostras do HIV-1, utilizando métodos de biologia molecular.

Observou-se que as contagens de linfócitos totais, linfócitos T, linfócitos TCD4 (% e absoluto) e a relação CD4/CD8 foram significativamente mais baixas nas gestantes portadoras do HIV-I. As contagens de linfócitos B não foram diferentes entre as gestantes dos grupos A e B e os linfócitos TCD8 foram significativamente mais elevados no grupo A (gestantes soropositivas).

Em relação aos linfócitos NK, observou-se que os CD56+/CDl6+ foram significativamente mais baixos durante a gravidez e período pós-parto de mulheres portadoras do HIV-1 quando comparadas com o grupo B.

O seqüencianento e fragmentos do HIV-1 mostrou um elevado percentual de mutações na região da alça V3 (75%) o tetrâmero GWGR foi o mais frequente (35%) nos grupos estudados (A e C) e uma nova variante (RWGR) foi observada.

Com base nos resultados deste trabalho, não foi possível evidenciar influência da gestação s obre a evolução das contagens de linfócitos totais, relação CD4/CD8 e NK (CD56+/CDl6+). Verificou-se que as contagens de TCD4 não foram influenciadas pela gestação, mas apresentaram declínio no puerpério remoto, tanto no grupo A quanto no grupo B.