Pacientes tratadas de câncer de mama apresentam sintomas mais graves de atrofia vulvovaginal e síndrome geniturinária do que pacientes sem esse histórico, devido aos efeitos antiestrogênicos da quimioterapia, tamoxifeno e inibidores da aromatase. Além disso, o tratamento padrão baseado em estrogênio para SGM permanece controverso neste subconjunto de pacientes.
Recentemente, novos tratamentos, como a terapia com radiofrequência fracionada microablativa e laser vaginal, surgiram com resultados interessantes, mas as evidências de sua eficácia nesse subgrupo ainda são escassas.
Uma pesquisa na UNIFESP avaliou 62 mulheres com SGUM moderada a grave, após câncer de mama em terapia adjuvante com anastrosol ou tamoxifeno, randomizadas para comparar a eficácia da radiofrequência, do laser de CO 2 e promestrieno. As participantes nos grupos de energia foram submetidas a três sessões consecutivas mensais de tratamento vulvovaginal ambulatorial, enquanto aquelas no grupo controle receberam promestrieno por 4 meses. Houve melhora persistente dos sintomas sexuais, urinários comparáveis na RF e LS, e apenas durante o uso do promestrieno. Nenhum dano histológico observado.
Um estudo por pesquisadores espanhóis com 84 participantes em dois grupos de estudo paralelos, ambos os grupos receberam uma terapia de primeira linha baseada em hidratantes não hormonais e estimulação com vibrador vaginal, e as participantes foram randomizadas para receber 5 sessões semanais de laser fracionado de dióxido de carbono ou laser simulado. Houve melhorias significativas na análise geral, independentemente do grupo, em muitos resultados, sem diferenças nas complicações ou nos níveis séricos de estradiol. Não foram observadas diferenças entre os grupos nos resultados de segurança ou eficácia no acompanhamento de 6 meses. Isso sugere que, embora o tratamento vaginal a laser tenha sido seguro, ele não foi mais eficaz do que a terapia de primeira linha com tratamento com placebo em sobreviventes de câncer de mama que receberam inibidores de aromatase.
É relevante destacar que o intervalo semanal entre as sessões pode ter limitado a eficácia da intervenção, considerando que a regeneração tecidual promovida por estímulos térmicos ocorre predominantemente em ciclos de 28 a 30 dias, intervalo mínimo recomendado entre aplicações.
Em síntese, a radiofrequência e o laser vaginal configuram opções viáveis para o tratamento da síndrome geniturinária em sobreviventes de câncer de mama, especialmente quando as terapias hormonais são indesejadas ou contraindicadas. Apesar dos resultados preliminares favoráveis, ainda há necessidade de protocolos padronizados quanto à periodicidade das sessões, número de aplicações e critérios objetivos de avaliação. Até que melhores evidências estejam disponíveis, a indicação dessas tecnologias deve ser individualizada, priorizando segurança, acompanhamento especializado e consentimento esclarecido.
Referências
- Fernandes MFR, et al; LARF Study Group. CO 2 laser, radiofrequency, and promestriene in the treatment of genitourinary syndrome of menopause in breast cancer survivors: a histomorphometric evaluation of the vulvar vestibule. 2023 Dec 1.
- Mension E, et al. Effect of Fractional Carbon Dioxide vs Sham Laser on Sexual Function in Survivors of Breast Cancer Receiving Aromatase Inhibitors for Genitourinary Syndrome of Menopause: The LIGHT Randomized Clinical Trial. JAMA Netw Open. 2023 Feb 1.
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Dra. Márcia Farina Kamilos é responsável pelo Setor de Patologia do Trato Genital Inferior e colposcopia do Hospital Heliópolis. Membro da Diretoria da ABPTGIC Nacional e Diretora Científica do Capítulo de São Paulo da ABPTGIC.

