MENSAGEM PRINCIPAL: este estudo de coorte retrospectivo avaliou o efeito da vacina contra o HPV em mulheres tratadas para HSIL/NIC 2-3 na prática clínica. Os resultados demonstraram que a vacinação contra o HPV está associada a uma redução no risco de HSIL/NIC 2-3 persistente/recorrente após o tratamento cirúrgico.
Infecções persistentes pelo Papilomavírus Humano de Alto Risco estão fortemente associadas ao desenvolvimento de Lesão Intraepitelial Escamosa de Alto Grau (HSIL). A vacinação profilática contra o HPV (bivalente, quadrivalente, nonavalente) demonstrou ser a melhor estratégia de prevenção primária contra essa doença.
Pacientes submetidas a terapia excisional por HSIL apresentam um risco de recidiva de 0,4 a 19%. Há evidências que demonstram que a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) pode impactar na redução das taxas de recidiva de HSIL nesse grupo de mulheres.
O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia da vacinação contra o HPV na redução das taxas de doença persistente e recidiva em pacientes submetidas à excisão da zona de transformação por HSIL.
Durante o período de janeiro de 2009 a março de 2019, 563 pacientes com HSIL foram submetidas ao tratamento cirúrgico. Todos os procedimentos foram realizados por membros do Departamento de Ginecologia Oncológica, especialistas na técnica de cirurgia de alta frequência. A população foi dividida em dois grupos de acordo com o status de vacinação: grupo vacinado (Grupo V) e grupo não vacinado (Grupo NV). As vacinas bivalentes ou quadrivalentes foram administradas indiscriminadamente.
O acompanhamento foi agendado a cada 6-12 meses. A consulta de acompanhamento de 6 meses foi definida de acordo com o resultado do teste combinado:
- lesão persistente (presença de qualquer lesão por citologia ou biópsia);
- infecção persistente por HPV (presença de HPV de alto risco);
- ausência de doença (citologia/biópsia negativa e teste molecular negativo para HPV de alto risco).
Em relação ao esquema de vacinação, entre as 277 mulheres vacinadas, 255 (92,1%) receberam as três doses, 16 (5,8%) receberam duas doses e 6 (2,2%) receberam apenas uma dose. Entre as mulheres vacinadas, 67 (25,1%) receberam a primeira dose antes da cirurgia e 210 mulheres foram vacinadas após o tratamento.
O desfecho clínico das mulheres ao final do acompanhamento foi categorizado da seguinte forma:
- persistência/recorrência: resultado positivo para HPV de alto risco e/ou presença de lesão intraepitelial histológica ou citológica de qualquer grau em localização cervical ou vaginal;
- ausência de doença: teste de HPV de alto risco negativo e citologia oncótica negativa.
O tempo médio de acompanhamento foi de 29,6 meses no grupo V e de 36,5 meses no grupo NV.
Resultados: 277 (49,2%) mulheres foram vacinadas, enquanto 286 (50,8%) não foram. No geral, HSIL persistente/recorrente foi apresentado por 12/277 (4,3%) mulheres no grupo V e 28/286 (9,8%) no grupo NV (p = 0,014). A vacinação foi associada a uma redução de 57% nas taxas de persistência / recidiva de HSIL após o tratamento. O fator associado a um alto risco de persistência ou recidiva foi a apresentação de um teste combinado positivo no primeiro controle após o tratamento (p < 0,001).
Conclusões: Os resultados corroboram o benefício da vacinação contra o HPV em mulheres tratadas para HSIL, mostrando uma redução nas taxas de persistência ou recidiva da doença.
Dr. Eduardo Borges Coscia
- Professor Mestre da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP
- Coordenador do serviço de PTGI da Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP
- Especialista em Oncoginecologia pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer IBCC-SP.
Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/8960580269692271
Fonte: Casajuana-Pérez, A.; Ramírez-Mena, M.; Ruipérez-Pacheco, E.; Gil-Prados, I.; García-Santos, J.; Bellón-del Amo, M.; Hernández-Aguado, J.J.; de la Fuente-Valero, J.; Zapardiel, I.; Coronado-Martín, P.J. Effectiveness of Prophylactic Human Papillomavirus Vaccine in the Prevention of Recurrence in Women Conized for HSIL/CIN 2-3: The VENUS Study. Vaccines 2022, 10, 288. https:// doi.org/10.3390/vaccines10020288.

