Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia
Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Manejo do Herpes Genital na Gestação

Conduta Geral

O herpes genital na gestação requer atenção especial devido ao risco de transmissão vertical, que pode causar herpes neonatal grave. A abordagem varia conforme o momento da infecção e a presença de lesões ativas no parto.

Profilaxia com Aciclovir

A profilaxia antiviral está indicada para gestantes com história de herpes genital recorrente. O aciclovir 400mg via oral, 3 vezes ao dia (ou alternativamente 400mg 2x/dia), deve ser iniciado a partir da 36ª semana de gestação até o parto. Esta medida reduz significativamente a recorrência de lesões no momento do parto e, consequentemente, a necessidade de cesárea.

Indicações de Cesariana

A cesárea eletiva está indicada nas seguintes situações:

  • Presença de lesões ativas (vesículas ou úlceras) ou sintomas prodrômicos (dor, ardor, prurido) no momento do trabalho de parto ou na ruptura de membranas
  • Primo-infecção (primeiro episódio) no terceiro trimestre, especialmente nas últimas 6 semanas de gestação, mesmo na ausência de lesões ativas no parto (devido ao alto risco de excreção viral assintomática)

O parto vaginal é seguro quando não há lesões ativas no momento do parto e em casos de herpes recorrente com profilaxia adequada.

Cuidados Adicionais

  • Evitar amniotomia e uso de eletrodos no escalpo fetal quando há suspeita de infecção ativa.
  • Em casos de primo-infecção no primeiro ou segundo trimestre, o parto vaginal pode ser considerado se não houver lesões ativas.
  • Isolamento de contato para recém-nascidos de mães com lesões ativas.

 

Referência bibliográfica:

  1. Ministério da Saúde do Brasil. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
  2. Ministério da Saúde do Brasil. Manual Técnico: Pré-natal e Puerpério – Atenção Qualificada e Humanizada. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
  3. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187.
  4. Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep 2021;70(No. RR-4):1–187.
  5. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Management of Herpes Simplex Virus in Pregnancy. ACOG Practice Bulletin No. 220. Obstet Gynecol. 2020;135(5):e193-e202.
  6. Brown ZA, Wald A, Morrow RA, et al. Effect of serologic status and cesarean delivery on transmission rates of herpes simplex virus from mother to infant. JAMA. 2003;289(2):203-209.

 

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Dra. Fernanda Kesselring. Médica assistente do Departamento de Ginecologia da UNIFESP – setor PTGI. Docente de Ginecologia da Faculdade Israelita de Ciências em Saúde Albert Einstein. Secretária da Comissão Nacional Especializada em PTGI FEBRASGO.