Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia
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NIC 2 e 3 em pacientes abaixo de 25 anos – como conduzir

Mulheres abaixo dos 25 anos não devem ser incluídas no rastreamento do câncer de colo uterino, mas caso isso ocorra devemos saber como conduzir principalmente as lesões de alto grau, para que não ocorra malefícios e prejuízo no futuro obstétrico dessas pacientes.

Os estudos têm mostrado que a história natural do NIC 2 nessa população está muito próxima ao NIC1 e a regressão do NIC 3 também tem sido observado. Estudo retrospectivo com mulheres abaixo de 25 anos com NIC 2 em tratamento conservador mostrou 71% regressão completa.

Portanto, há uma tendência a condutas mais conservadoras, como os tratamentos destrutivos (eletrocauterização, laser) desde que não haja suspeita de lesão invasiva ou glandular, a lesão seja completamente visível e não se estende ao canal.

Se a biópsia revelar NIC 2 deve-se realizar citologia e colposcopia a cada 6 meses por 24 meses e após esse período se houver persistência optar pelo tratamento destrutivo ou excisonal.

Se a biópsia revelar NIC 3, o seguimento citológico e colposcópico semestral por dois anos é recomendado nas mulheres até 20 anos. Nas demais, entre 21 e 24 anos, é recomendado tratamento excisional (EZT) ou destrutivo, mas o seguimento citológico e colposcópico semestral por dois anos ou até completar 25 anos também é aceitável.

 

Referência bibliográfica:

  1. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero, INCA, 2016.
  2. Castle PE, Schiffman M, Wheeler CM, Solomon D. Evidence for frequent regression of cervical intraepithelial neoplasia-grade 2. Obstet Gynecol. 2009 Jan;113(1):18-25.
  3. Loopik DL, Bentley HA, Eijgenraam MN, IntHout J, Bekkers RLM, Bentley JR. The Natural History of Cervical Intraepithelial Neoplasia Grades 1, 2, and 3: A Systematic Review and Meta-analysis. J Low Genit Tract Dis. 2021 Jul 1;25(3):221-231.
  4. Moscicki AB, Ma Y, Wibbelsman C, et al. Rate of and risks for regression of cervical intraepithelial neoplasia 2 in adolescents and young women. Obstet Gynecol. 2010 Dec;116(6):1373-1380.

 

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Dra. Flavia Salomão D’Avila Curi tem Mestrado e Doutorado em Ciências da Saúde pela Santa Casa de São Paulo.
Médica assistente do Setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia da Santa Casa São Paulo. Professora da Universidade Nove de Julho. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/6334922784201243.