O objetivo do tratamento é a destruição das verrugas, para a melhora dos sintomas (caso existam) e diminuição do risco de transmissão.
Há casos de resolução espontânea, mas o recomendável é realizar o tratamento para evitar o crescimento das lesões e transmissão do HPV.
Não há na literatura um tratamento padrão ouro. Há diversas possibilidades de tratamento, e a escolha dependerá do número de lesões, localização, preferência da paciente, riscos associados/efeitos adversos e experiência do cirurgião.
É recomendada mudança do tipo de tratamento quando não houver melhora significativa após 3 sessões ou quando não houver remissão completa das lesões após 6 sessões de tratamento.
Pela possibilidade de múltiplas sessões/idas ao serviço de saúde, o CDC (2021) e o Ministério da Saúde (2022) dividem os tratamentos em domiciliares (aplicados pelo próprio paciente) e ambulatoriais (realizados pelos profissionais de saúde).
No Brasil, para tratamento domiciliar, há possibilidade do uso do imiquimode, um agente imunomodulador que estimula a produção de interferon e citocinas; e da podofilotoxina, agente antimitótico que induz necrose no tecido.
O tratamento ambulatorial mais realizado é a aplicação local de ácido tricloroacético (TCA ou ATA) a 80-90%. Ele é considerado um agente cáustico e promove a coagulação química do conteúdo proteico e, consequentemente, necrose/destruição dos condilomas. Deve ser aplicada uma pequena quantidade sobre as lesões, evitando contato com a pele normal pelo risco de queimadura aos tecidos adjacentes. Pode ser utilizado na gestação e realizadas aplicações semanais.
A podofilina tem ação antimitótica, também pode ser aplicada com intervalos semanais, mas é contraindicada na gestação pelo risco de absorção e cardio/neuro/nefrotoxicidade.
As possibilidades ambulatoriais (ou cirúrgicas dependendo da extensão das lesões) incluem a crioterapia (o nitrogênio líquido age congelando e destruindo as lesões), vaporização a laser das lesões, eletrocauterização ou excisão cirúrgica com tesoura/bisturi frio.
Também há a possibilidade de se associar tratamentos, sempre com estrita vigilância para não haver lesão iatrogênica de tecidos normais e é sempre importante conscientizar a paciente da possibilidade de recidiva das lesões.
Referência bibliográfica:
- CDC. STI Treatment Guidelines, 2021.
- Ministério da Saúde. PCDT IST, 2020.
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Dra. Maria Eduarda Bellotti Leão. Título de Especialista em PTGI e Endoscopia Ginecológica. Mestre em Cirurgia. Professora Assistente do Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP).

