Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia
Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Conduta frente às Atipias Glandulares citológicas (AGC)

Apesar da baixa prevalência de AGC, esse diagnóstico se torna relevante pela possibilidade de tratar-se de neoplasia intraepitelial escamosa, Adenocarcinoma “in situ” (AIS), adenocarcinoma invasor do colo uterino, adenocarcinoma do endométrio e, mais raramente, neoplasia extrauterina.

Prejudica o diagnóstico das lesões glandulares, durante a colposcopia, a dificuldade de acesso ao canal endocervical.

Pacientes com citologia de AGC devem ser encaminhadas para colposcopia. À colposcopia deve ser realizada nova coleta de material para citologia com especial atenção para o canal cervical. Concomitantemente, é recomendável a avaliação endometrial com ultrassonografia transvaginal em pacientes acima de 35 anos.

Fundamental salientar a importância dos testes moleculares para DNA-HPV. Células glandulares atípicas podem estar associadas a pólipos e metaplasia, especialmente em mulheres mais velhas com teste de HPV negativo. Resultados positivos do teste de HPV em mulheres com citologia compatível com AGC, especialmente quando positivos para os tipos 16 ou18, podem ser indicativos de maior risco de lesões NIC 2+.

A citologia de AGC está associada inicialmente a um diagnóstico histológico de AIS em 3% a 4%, NIC 2+ em 9% e câncer invasivo em 2% a 3%. Quando a associada a genotipagem positiva para HPV oncogênico, o risco de NIC 3+ aumenta para 26%.

Por esse motivo, procedimentos excisionais diagnósticos podem ser recomendados em casos de resultado citológico persistente de AGC, especialmente quando associado à presença de DNA-HPV oncogênico, mesmo quando HSIL ou AIS não foram identificados através do exame de colposcopia.

 

Referência:

  1. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede. – 2. ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: INCA, 2016.
  2. Rebecca B. Perkins, MD, Richard S. Guido, MD, Philip E. Castle, PhD, David Chelmow, MD, Mark H. Einstein, MD, Francisco Garcia, MD, Warner K. Huh, MD, Jane J. Kim, PhD, Anna-Barbara Moscicki, MD, Ritu Nayar, MD, Mona Saraiya, MD, George F. Sawaya, MD, Nicolas Wentzensen, MD, and Mark Schiffman, MD, for the 2019 ASCCP Risk-Based Management Consensus Guidelines Committee. J Low Genit Tract Dis 2024;28: 3–6.
  3. Teixeira, J. C. et al. Cervical cancer screening with DNA-HPV testing and precancerous lesions detection: A Brazilian population based demonstration study. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. 45, 21–30 (2023).

 

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Dr. Eduardo Borges Coscia.
Professor Mestre da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP. Coordenador do serviço de PTGI da Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC-SP. Especialista em Oncoginecologia pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer IBCC-SP. Currículo Latteshttps://lattes.cnpq.br/8960580269692271.