Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia
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Vamos falar sobre sífilis de forma clara e direta

A sífilis causada pelo Treponema pallidum é uma infecção sexualmente transmissível secular, mas ainda em ascensão em nosso meio. Ela pode afetar pessoas de todos os gêneros e é transmitida principalmente pelo contato sexual desprotegido.

Os sinais variam conforme a fase:

  • Fase primária: após incubação de cerca de 3 semanas, aparece uma úlcera indolor, geralmente única, fundo limpo, borda sobrelevada e autolimitada.
  • Fase secundária: surgem manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés, além de possível febre e mal-estar.
  • Fase latente: não há sintomas, mas a infecção continua.
  • Fase terciária: Ocorre em cerca de 15 a 40% das pessoas não tratadas, após anos de infecção. Pode causar lesões graves na pele, ossos, cardiovasculares (aneurismas, insuficiência cardíaca) e neurológicas (neurossífilis com demência, paralisia, alterações de marcha).

O diagnóstico é feito através de: testes treponêmicos (como FTA-Abs e testes rápidos) e não-treponêmicos (VDRL). O teste rápido está disponível gratuitamente nas unidades de saúde do SUS e o resultado sai em apenas 30 minutos. Durante a gestação, o teste deve ser realizado na primeira consulta do pré-natal, no terceiro trimestre e no momento do parto.

Tratamento: o tratamento é feito com penicilina benzatina (benzetacil), aplicada por injeção intramuscular. A dose e o número de aplicações dependem da fase da doença:

  • Sífilis primária, secundária ou latente recente: 2.400.000UI dose única
  • Sífilis latente tardia ou terciária: três doses semanas de 2.400.000UI

É fundamental que as parcerias sexuais sejam notificadas, testadas e tratadas simultaneamente. O seguimento após tratamento é essencial, com repetição das sorologias como VDRL para confirmar a resposta terapêutica.

Prevenção: use preservativo em todas as relações sexuais e faça testagem regular.

A sífilis tem cura! Não ignore os sinais e procure atendimento médico.

 

Referência bibliográfica:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
  2. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Syphilis – CDC Fact Sheet (Detailed). Atlanta: CDC, 2022. Disponível em: https://www.cdc.gov/std/syphilis/stdfact-syphilis-detailed.htm
  3. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187.

 

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Dra. Fernanda Kesselring. Médica assistente do Departamento de Ginecologia da UNIFESP – setor PTGI. Docente de Ginecologia da Faculdade Israelita de Ciências em Saúde Albert Einstein. Secretária da Comissão Nacional Especializada em PTGI FEBRASGO.