Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia
Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Higiene íntima feminina

É um conjunto de práticas de limpeza da região genital para manter a saúde e o bem-estar. Visa remover o excesso de resíduos de secreções, sangue menstrual, urina, fezes, esperma, papel, lubrificantes ou outros agentes que possam causar infecções, alergias e odores.

A pele da vulva atua como uma barreira física e imunológica protegendo contra microrganismos indesejados, atritos e irritantes externos.

Irritantes vulvares comuns:

  • Fluidos corpóreos : Suor, secreção vaginal, urina e sêmen.
  • Produtos de higiene: sabonetes, desodorantes e perfumes.
  • Irritantes físicos: absorventes, roupas justas, roupas sintéticas, papel higiênico.
  • Variações hormonais: queda de estrogênio na menopausa aumentando a secura e a sensibilidade. 
  • Medicamentos : antifúngicos, antibióticos, medicações que  eliminam glicose.
  • Lubrificantes e contraceptivos: espermicidas, preservativos e diafragmas.

Os produtos para a higiene genital feminina devem:

  • Garantir a eliminação de resíduos, secreções.
  • Dermocompatibilidade com as mucosas.
  • Não irritar nem ressecar a pele (hipoalergênicos).
  • Não alterar o manto lipídico (função de barreira).
  • Manter o pH ligeiramente ácido.
  • Ter ação refrescante e desodorante.
  • Viscosidade adequada e baixa detergência.
  • Promover uma pele vulvar saudável e limpa.

Técnica da higiene íntima:

  • Higiene matinal com água corrente morna.
  • Sabonete líquido: baixa detergência e ph levemente ácido.
  • Incluir vulva, pubis, a região perianal e os sulcos crurais.
  • Evitar trazer conteúdo perianal para a vulva.
  • Movimentos suaves, circulares, atingir todas as dobras.
  • Incluir sulcos interlabiais e região retro prepucial (clitoris).
  • Não introduzir água ou produtos na vagina.
  • Secar delicadamente com toalhas macias.
  • No clima quente: uma a três vezes. No frio: uma vez ao dia.
  • Durante 2 a 3 minutos para evitar ressecar a região.
  • Evitar perfumes e desodorantes.
  • A pele deve ser hidratada de preferência diariamente.
  • Usar géis e cremes de base aquosa
  • Evitar produtos oleosos.
  • Não englobar a mucosa  e a semimucosa.
  • Roupas íntimas naturais, não sintéticas cor clara.
  • Evitar roupas justas.
  • Dormir sem calcinha ou com roupas largas para ventilação.
  • Trocar roupas intimas ao menos 1x/dia.
  • Após lavar roupas íntimas enxaguar bem.
  • Evitar
  • Secar em área arejada.

É necessário investigar hábitos íntimos para oferecer  orientação adequada às mulheres e evitar distúrbios fisiológicos ou infecções: tipos de vestimentas, absorventes higienicos, depilação, adornos – piercings, tatuagens, práticas sexuais, dispositivos para disfunção sexual e fisioterapia.

 

Referências

  1. Chen Y, Bruning E, Rubino J, Eder SE. Papel da higiene íntima feminina na saúde vulvovaginal: práticas globais de higiene e uso de produtos. Saúde da Mulher (Lond). 2017.
  2. Giraldo PC, Amaral RL, Gonçalves AK. The influence of genitalis odors to women’s life. Jornal Brasileiro De Doenças Sexualmente Transmissíveis, v. 32, p. e203217: 1-4, 2020.
  3. Giraldo PC, Beghini J. Higiene Genital Feminina – Orientação para a Mulher Moderna. 2015.
  4. Giraldo PC, Eleutério J, Pires MG, Neves MR, Neves NA, Amaral RL. et al. Guia prático de condutas sobre higiene genital feminina. São Paulo: Febrasgo, 2009.

 

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Dra. Maria Ascension Pallares Varela de Almeida é
Professora afiliada da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC. Presidente da SOGESP – Regional ABC.