Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia
Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Tipos de EZT

A zona de transformação (ZT) é a região do colo uterino onde ocorre a substituição do epitélio colunar pelo epitélio escamoso metaplásico. É justamente nessa área que se originam mais de 90% das lesões precursoras do câncer do colo do útero e a grande maioria dos carcinomas relacionados à infecção persistente pelo HPV de alto risco. Por esse motivo, a identificação adequada da zona de transformação durante a colposcopia é um dos pilares do diagnóstico e do tratamento das lesões intraepiteliais cervicais.

A Zona de Transformação Tipo 1 (ZT1) está completamente localizada na ectocérvice e a junção escamocolunar é totalmente visível. A Zona de Transformação Tipo 2 (ZT2) existe componente endocervical, porém toda a junção escamocolunar permanece visível. Zona de Transformação Tipo 3 (ZT3) A junção escamocolunar não é completamente visualizada.

Os tratamentos excisionais do colo uterino são baseados no tipo de zona de transformação.

  • Exérese Tipo 1 indicada principalmente para: lesões localizadas em ZT1, junção escamocolunar totalmente visível e ausência de suspeita de acometimento endocervical. Profundidade aproximada: Até 10 mm.
  • Exérese Tipo 2 indicada para: lesões associadas à ZT2 e casos em que existe componente endocervical visível. Profundidade aproximada: Entre 10 e 15 mm.
  • Exérese Tipo 3 Indicada para: ZT3, junção escamocolunar não visível, suspeita de acometimento glandular, discordância citologia-colposcopia e necessidade de avaliação mais ampla do canal endocervical. Profundidade aproximada: Entre 15 e 25 mm ou mais, individualizada conforme o caso.

O objetivo não é realizar exéreses extensas rotineiramente, mas sim adequar o tamanho da peça ao tipo de zona de transformação, à extensão da lesão e ao risco individual da paciente. Esse conceito é particularmente importante em mulheres jovens e com desejo reprodutivo, uma vez que exéreses mais profundas estão associadas ao aumento do risco de parto prematuro, ruptura prematura de membranas e insuficiência cervical.

 

Referência bibliográfica:

  1. Bornstein J, Bentley J, Bösze P, Girardi F, Haefner H, Menton M, et al. 2011 colposcopic terminology of the International Federation for Cervical Pathology and Colposcopy. Obstet Gynecol. 2012;120(1):166-72.
  2. Prendiville W, Sankaranarayanan R, editors. Colposcopy and Treatment of Cervical Precancer. Lyon: International Agency for Research on Cancer; 2017. Chapter 7: Colposcopic terminology: the 2011 IFCPC nomenclature.
  3. Fontham ETH, Ngwa W, et al. Transformation zone types: a call for review of the IFCPC terminology to embrace practice in low-resource settings. ecancermedicalscience. 2024;18:1612.
  4. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. 2. ed. Rio de Janeiro: INCA; 2016.

 

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Dra. Flavia Salomão D’Avila Curi tem Mestrado e Doutorado em Ciências da Saúde pela Santa Casa de São Paulo.
Médica assistente do Setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia da Santa Casa São Paulo. Professora da Universidade Nove de Julho. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/6334922784201243.