Os corrimentos são uma das causas mais comuns de procura ao consultório ginecológico e frequentemente não são queixas valorizadas e investigadas da forma adequada.
Quando se tratam de corrimentos de repetição ou refratários tudo fica ainda mais difícil. Apesar de as vulvovaginites infecciosas (principalmente a vaginose bacteriana e candidíase vulvovaginal) serem as causas mais frequentes, há inúmeros outros diagnósticos diferenciais possíveis (como tricomoníase, cervicite, atrofia vulvovaginal, dermatites, líquen escleroso, vestibulodínia e até neoplasias vulvares) que também precisam ser investigados.
Segundo esta revisão recente da Johns Hopkins, toda paciente com suspeita de vulvovaginite recorrente deve ser examinada durante os sintomas. Tratar apenas com base na história clínica ou em autodiagnóstico frequentemente leva a erros diagnósticos e terapêuticos.
Pacientes que não melhoram após vários tratamentos nem sempre têm uma infecção resistente. Muitas vezes, ela tem um diagnóstico errado. Nos últimos anos não houve grande mudança na terapêutica das vulvovaginites infecciosas e é por isso que o diagnóstico assertivo se torna tão importante nesses casos, especialmente nos recorrentes.
A recorrência é definida como a presença de três ou mais episódios sintomáticos em um único ano e, especialmente nesses casos, é fundamental a realização de exames físicos e laboratoriais rigorosos para evitar diagnósticos incorretos.
Há diferentes estratégias de manejo para os casos recorrentes, incluindo o uso de terapias supressoras prolongadas, uso consistente de condom e adequação das práticas de higiene vulvovaginal.
Casos complexos que não respondem aos protocolos padrão ou apresentam resistência a medicamentos devem ser encaminhados para atendimento especializado. Nas pacientes com candidíase recorrente, cultura fúngica com antifungigrama e identificação da espécie devem fazer parte da investigação. E nos casos de vaginose bacteriana recorrente, o diagnóstico deve, idealmente, sempre ser realizado com microscopia e realização de controle de cura após tratamento.
Fica a dica de, antes de trocar o antifúngico ou repetir o metronidazol, confirmar o diagnóstico. Em vulvovaginites recorrentes, diagnosticar corretamente costuma ser mais importante do que escolher um novo tratamento.
Referência bibliográfica:
- Yazdy et al, Recurrent Infectious Vaginitis: A Practical Approach for the Primary Care Clinician, Med Clin N Am 108 (2024) 373-392.
CLIQUE AQUI e assista este conteúdo em formato de vídeo.
Dra. Maria Eduarda Bellotti Leão. Título de Especialista em PTGI e Endoscopia Ginecológica. Mestre em Cirurgia. Professora Assistente do Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP).

